Tirar partido das características singulares de cada lugar é um dos melhores princípios a aplicar no desenvolvimento de um projecto de espaços exteriores. Assim se consegue reforçar o carácter do sítio, distinguindo-o de outros pelas suas características próprias, como ainda aproveitar materiais existentes e as condições edafo-climáticas locais para fazer crescer nas melhores condições as plantas melhor adaptadas com os menores custos de manutenção.
Este foi, justamente, o princípio aplicado à proposta de ideias para os espaços exteriores de uma moradia em Aldeínha, concelho de Abrantes.
A moradia encontra-se implantada na proximidade de uma linha de água permanente, em condições de humidade e de abundância em água singulares. Nas margens desta linha de água, assim como na sua proximidade, dado o elevado grau de encharcamento, crescem espontaneamente os amieiros (Alnus glutinosa), os salgueiros (Salix salvifolia e Salix atrocinerea) e todo um conjunto de espécies associadas a semelhantes condições edáficas.
Os seixos rolados, material actualmente muito disputado na execução de espaços exteriores mas raramente utilizado devido ao seu elevado preço, abundam aqui revestindo o leito e bordejando as margens da ribeira.
A moradia, pintada de vermelho, rodeada por caleiras de água corrente, num ambiente de frescura verdejante, contrasta de forma agreste com a paisagem, toda feita de verdes, que a envolve.
Tais são as condições reunidas para o desenvolvimento de um projecto de espaços exteriores bastante interessante e singular, ainda que com algumas condicionantes.
Dada a implantação da moradia, em pleno leito de cheia, e suas cotas de implantação muito aproximadas da do próprio leito, dificilmente se poderá evitar, independentemente dos meios mecânicos utilizados, que a cada passo a água, transbordado do leito, invada todo o terreno que a circunda. Trata-se pois, sobretudo, de tomar medidas para que, em situações de encharcamento e de cheia, se reduzam ao mínimo os danos causados pela passagem das águas, em particular o arrastamento de solos, de plantas, e de materiais.
Propõe-se, para tal, a consolidação da margem recorrendo ao restabelecimento parcial da galeria ripícola, uma vez que se pode considerar que, de um modo geral, a parte superior de uma planta se reproduz com dimensão idêntica sob o solo, num imbricado de raizame subterrâneo (sendo que uma árvore de dimensão média possui uma copa com doze metros de diâmetro), pelo que dificilmente se poderá conceber um sistema artificial mais eficiente para consolidação do solo.
Esta consolidação será, todavia, apenas parcial, já que tornará agradável, no decurso da vivência do espaço, a aproximação à água, vivência que se tornaria inviável com o restabelecimento de um estrato arbustivo demasiado denso.
Deste modo, a plantação de arbustos em maciços (tais como os Salix sp. e o Tamarix africana) recairá sobre as extremidades norte e sul do espaço e pontualmente sobre a zona intermédia, salvaguardando-se a presença de troços, de dimensão variável, abertos para a ribeira.
Para as áreas abertas da margem, mais desprotegidas pela ausência de vegetação, poderão ser previstas formas alternativas de consolidação do solo, como sejam sistemas de confinamento celular do tipo “Terracell” ou “Ritter”.
No que respeita ao estrato arbóreo, é disposto um alinhamento de árvores ao longo de toda a margem, sendo este constituído predominantemente por amieiros, espécie de folha caduca, espontânea no local, e particularmente atractiva pela conformação da copa e coloração verde-escuro das folhas.
Somente na extremidade norte deste alinhamento é proposta a introdução de três exemplares de choupo branco (Populus alba), espécie caducifólia de grande porte, crescimento rápido, e folhas de cor glauca, em contraste acentuado com o verde-escuro dos amieiros.
Os choupos marcam o espaço, podendo avistar-se ao longe dada a sua dimensão, e ficam aqui suficientemente afastados da moradia para que se evitem quaisquer danos estruturais provocados pelo raizame.
Ao longo da margem, em torno das áreas plantadas e nos troços abertos para a ribeira, o revestimento do solo será constituído por seixos, podendo estes, como foi já referido, dispor-se sobre um sistema de confinamento celular do tipo “Terracell” ou “Ritter”.
O acesso automóvel à garagem, que acompanha o desenho da margem, poderá igualmente contribuir para a consolidação do terreno, prevendo-se para este acesso a utilização de uma grelha de enrelvamento em PVC do tipo “Ritter”, o que aumentará a capacidade de carga do solo sem prejuízo da sua permeabilidade.
Para o espaço aberto, que medeia entre a margem da ribeira e a base do talude a poente, propõe-se a instalação de um prado rústico, sugerindo-se uma composição de (% de coberto pretendida): 20% Festuca arundinaceae; 25% Cynodon dactylon; 25% Pennisetum clandestinum; 15% Festuca rubra; 10% Trifolium incarnatum; 5% Trifolium pratense; (densidade de sementeira de 40gr/m2).
Acompanhando este talude, em toda a extensão do terreno, surge uma bordadura de enquadramento, constituída essencialmente por espécies de folha linear, e por espécies de floração de tons de vermelho e laranja, em sintonia com a cor da moradia, cores intensas, temperadas pontualmente por maciços de tons lilás.
Para toda a bordadura foram previstas espécies rústicas e adaptadas ao local, e de crescimento relativamente rápido para que depressa se faça sentir o efeito produzido sobre a ambiência do espaço. O remate desta bordadura fica definido por um empedrado de seixos que servirá igualmente para atravessamento pedonal do espaço, da garagem até à moradia.
Junto à casa, mas garantido um afastamento suficiente para que as raízes não interfiram com a sua estrutura, surge como elemento isolado uma “super-árvore” composta por três amieiros plantados em triângulo equilátero, com afastamento somente de 70cm, de modo a que os trocos se venham a fundir parcialmente constituindo uma “excentricidade vegetal”, ex-libris de todo o espaço.
Num plano superior, acompanhando o limite do lote a poente, surge um pano de fundo verde-escuro intenso formado por uma sebe densa de loureiros (Laurus nobilis), de compasso de plantação com 1m, espécie espontânea no local.
A murta (Myrtus communis), espécie aromática de menor porte (1.5mx1.5m) poderá também ser utilizada em sebe, junto ao limite sul do espaço, sendo que para os revestimentos vegetais desta área se apontam ainda o Acanthus mollis (em situações de sombra) e o Hypericum sp. (em situações de sol), também espontâneos no local.
Na proximidade da moradia ficam definidas superfícies pavimentadas para acesso pedonal em lajetas de betão, predominando a norte, junto da entrada principal as superfícies mais lisas e claras (de lajetas de betão do tipo “Soplacas, Strukturit”, ref. 116.) e a sul as superficies texturadas (de lajetas de betão do tipo “Soplacas, Seixo SA”, ref. 103) combinadas com revestimentos de seixos.
Junto à casa, e bordejando as caleiras que a circundam, a vegetação exigirá um tratamento de maior detalhe, ficando aqui a qualidade e carácter do espaço ao cuidado do seu proprietário. Sugere-se, no entanto, que se potenciem as qualidades do local, em particular no que respeita à abundância de água, para fazer surgir espécies de grande beleza, e não muito frequentes dadas as suas exigências edafo-climáticas, mas adaptadas às condições existentes, como sejam: a Alocasia macrorrhiza (a utilizar em maciços); o bambu negro (Phyllostachys nigra); e a Gunera manicata (espécie muito singular, de grande porte (3mx3m) a utilizar isolada).
Numa perspectiva global, o espaço assim concebido fecha-se sobre si mesmo numa sucessão de planos vegetais que se sucedem a diferentes níveis, convergindo a atenção para a moradia, centro contrastante para o qual se dirige o olhar ao longo da bordadura colorida encerrada em paredes vegetais (de loureiros, a poente, e de amieiros, a nascente).
Este foi, justamente, o princípio aplicado à proposta de ideias para os espaços exteriores de uma moradia em Aldeínha, concelho de Abrantes.
A moradia encontra-se implantada na proximidade de uma linha de água permanente, em condições de humidade e de abundância em água singulares. Nas margens desta linha de água, assim como na sua proximidade, dado o elevado grau de encharcamento, crescem espontaneamente os amieiros (Alnus glutinosa), os salgueiros (Salix salvifolia e Salix atrocinerea) e todo um conjunto de espécies associadas a semelhantes condições edáficas.
Os seixos rolados, material actualmente muito disputado na execução de espaços exteriores mas raramente utilizado devido ao seu elevado preço, abundam aqui revestindo o leito e bordejando as margens da ribeira.
A moradia, pintada de vermelho, rodeada por caleiras de água corrente, num ambiente de frescura verdejante, contrasta de forma agreste com a paisagem, toda feita de verdes, que a envolve.
Tais são as condições reunidas para o desenvolvimento de um projecto de espaços exteriores bastante interessante e singular, ainda que com algumas condicionantes.
Dada a implantação da moradia, em pleno leito de cheia, e suas cotas de implantação muito aproximadas da do próprio leito, dificilmente se poderá evitar, independentemente dos meios mecânicos utilizados, que a cada passo a água, transbordado do leito, invada todo o terreno que a circunda. Trata-se pois, sobretudo, de tomar medidas para que, em situações de encharcamento e de cheia, se reduzam ao mínimo os danos causados pela passagem das águas, em particular o arrastamento de solos, de plantas, e de materiais.
Propõe-se, para tal, a consolidação da margem recorrendo ao restabelecimento parcial da galeria ripícola, uma vez que se pode considerar que, de um modo geral, a parte superior de uma planta se reproduz com dimensão idêntica sob o solo, num imbricado de raizame subterrâneo (sendo que uma árvore de dimensão média possui uma copa com doze metros de diâmetro), pelo que dificilmente se poderá conceber um sistema artificial mais eficiente para consolidação do solo.
Esta consolidação será, todavia, apenas parcial, já que tornará agradável, no decurso da vivência do espaço, a aproximação à água, vivência que se tornaria inviável com o restabelecimento de um estrato arbustivo demasiado denso.
Deste modo, a plantação de arbustos em maciços (tais como os Salix sp. e o Tamarix africana) recairá sobre as extremidades norte e sul do espaço e pontualmente sobre a zona intermédia, salvaguardando-se a presença de troços, de dimensão variável, abertos para a ribeira.
Para as áreas abertas da margem, mais desprotegidas pela ausência de vegetação, poderão ser previstas formas alternativas de consolidação do solo, como sejam sistemas de confinamento celular do tipo “Terracell” ou “Ritter”.
No que respeita ao estrato arbóreo, é disposto um alinhamento de árvores ao longo de toda a margem, sendo este constituído predominantemente por amieiros, espécie de folha caduca, espontânea no local, e particularmente atractiva pela conformação da copa e coloração verde-escuro das folhas.
Somente na extremidade norte deste alinhamento é proposta a introdução de três exemplares de choupo branco (Populus alba), espécie caducifólia de grande porte, crescimento rápido, e folhas de cor glauca, em contraste acentuado com o verde-escuro dos amieiros.
Os choupos marcam o espaço, podendo avistar-se ao longe dada a sua dimensão, e ficam aqui suficientemente afastados da moradia para que se evitem quaisquer danos estruturais provocados pelo raizame.
Ao longo da margem, em torno das áreas plantadas e nos troços abertos para a ribeira, o revestimento do solo será constituído por seixos, podendo estes, como foi já referido, dispor-se sobre um sistema de confinamento celular do tipo “Terracell” ou “Ritter”.
O acesso automóvel à garagem, que acompanha o desenho da margem, poderá igualmente contribuir para a consolidação do terreno, prevendo-se para este acesso a utilização de uma grelha de enrelvamento em PVC do tipo “Ritter”, o que aumentará a capacidade de carga do solo sem prejuízo da sua permeabilidade.
Para o espaço aberto, que medeia entre a margem da ribeira e a base do talude a poente, propõe-se a instalação de um prado rústico, sugerindo-se uma composição de (% de coberto pretendida): 20% Festuca arundinaceae; 25% Cynodon dactylon; 25% Pennisetum clandestinum; 15% Festuca rubra; 10% Trifolium incarnatum; 5% Trifolium pratense; (densidade de sementeira de 40gr/m2).
Acompanhando este talude, em toda a extensão do terreno, surge uma bordadura de enquadramento, constituída essencialmente por espécies de folha linear, e por espécies de floração de tons de vermelho e laranja, em sintonia com a cor da moradia, cores intensas, temperadas pontualmente por maciços de tons lilás.
Para toda a bordadura foram previstas espécies rústicas e adaptadas ao local, e de crescimento relativamente rápido para que depressa se faça sentir o efeito produzido sobre a ambiência do espaço. O remate desta bordadura fica definido por um empedrado de seixos que servirá igualmente para atravessamento pedonal do espaço, da garagem até à moradia.
Junto à casa, mas garantido um afastamento suficiente para que as raízes não interfiram com a sua estrutura, surge como elemento isolado uma “super-árvore” composta por três amieiros plantados em triângulo equilátero, com afastamento somente de 70cm, de modo a que os trocos se venham a fundir parcialmente constituindo uma “excentricidade vegetal”, ex-libris de todo o espaço.
Num plano superior, acompanhando o limite do lote a poente, surge um pano de fundo verde-escuro intenso formado por uma sebe densa de loureiros (Laurus nobilis), de compasso de plantação com 1m, espécie espontânea no local.
A murta (Myrtus communis), espécie aromática de menor porte (1.5mx1.5m) poderá também ser utilizada em sebe, junto ao limite sul do espaço, sendo que para os revestimentos vegetais desta área se apontam ainda o Acanthus mollis (em situações de sombra) e o Hypericum sp. (em situações de sol), também espontâneos no local.
Na proximidade da moradia ficam definidas superfícies pavimentadas para acesso pedonal em lajetas de betão, predominando a norte, junto da entrada principal as superfícies mais lisas e claras (de lajetas de betão do tipo “Soplacas, Strukturit”, ref. 116.) e a sul as superficies texturadas (de lajetas de betão do tipo “Soplacas, Seixo SA”, ref. 103) combinadas com revestimentos de seixos.
Junto à casa, e bordejando as caleiras que a circundam, a vegetação exigirá um tratamento de maior detalhe, ficando aqui a qualidade e carácter do espaço ao cuidado do seu proprietário. Sugere-se, no entanto, que se potenciem as qualidades do local, em particular no que respeita à abundância de água, para fazer surgir espécies de grande beleza, e não muito frequentes dadas as suas exigências edafo-climáticas, mas adaptadas às condições existentes, como sejam: a Alocasia macrorrhiza (a utilizar em maciços); o bambu negro (Phyllostachys nigra); e a Gunera manicata (espécie muito singular, de grande porte (3mx3m) a utilizar isolada).
Numa perspectiva global, o espaço assim concebido fecha-se sobre si mesmo numa sucessão de planos vegetais que se sucedem a diferentes níveis, convergindo a atenção para a moradia, centro contrastante para o qual se dirige o olhar ao longo da bordadura colorida encerrada em paredes vegetais (de loureiros, a poente, e de amieiros, a nascente).
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